Thursday, August 02, 2007

Jardins Iniciáticos e Elementais

JORGE MOREIRA:
Estátuas vivas

“A natureza é um templo onde colunas vivas
Deixam por vezes sair confusas palavras;
O Homem passa por lá através de florestas de símbolos
Que o observam com olhares familiares.”
Charles Baudelaire

I - Tradição

Nas tradições antigas, o Jardim representava a natureza e era considerado sagrado desde os tempos pré-históricos, onde servia de meio entre o homem e a divindade e recreava o paraíso.

Para muitos povos, culturas e religiões o jardim tem sido um símbolo cósmico. Uma imagem do processo de congregação de energias latentes necessárias ao aperfeiçoamento da vida espiritual. Pode-se dizer que, embora naturais, foram locais onde os Grandes Iniciados atingiram a sua Iluminação e muitos Jardins espalhados pelo mundo retractam bem esse Percurso.

O jardim está intimamente ligado à evolução da vida pela harmonia que produz, pela unidade na diversidade, pela beleza que resplandece e pela ordem no caos. Um espaço que representa a Natureza é como uma espécie de bálsamo para o bem-estar da mente.
Ao Homem, ele forneceu os primeiros materiais de construção, influenciou a arquitectura que permitiu a edificação das mais belas Catedrais, com fustes de pedra, arcos unidos como ramos, vitrais que filtram a luz, etc.

O seu simbolismo é profundo e aparece muitas vezes associado ao da árvore cósmica que se ergue no centro do universo, cujas raízes se encontram envoltas pelas trevas, o tronco a elevar-se através da Terra e os ramos a penetrarem o domínio Celeste. Uma espécie de Árvore Sephirotal que representa o Universo ou uma flor de lótus, que se alimenta do lodo para se transformar numa flor maravilhosa e dirigir todo o seu esplendor ao Astro Rei. Analogamente, o homem retira das experiências vividas o elixir que lhe permite crescer em Sabedoria, Força e Beleza, capaz de desbravar as suas imperfeições e se transmutar num ser espiritualmente evoluído, num verdadeiro Mestre Iluminado, que labora ao progresso da Humanidade e segundo o Plano do Grande Arquitecto do Universo. Um modelo vivo do desabrochar ordenado e evolutivo da Matéria para o Espírito. A Vida como um Athanor Alquímico.

Os Rituais de Iniciação das Escolas Iniciáticas, portadoras dos Grandes Mistérios, focam e induzem o neófito nesse trajecto humano. Por isso, vemos muitos jardins ocidentais, com a simbólica característica dos três estágios, das três viagens, a subterrânea, a terrestre e a Celeste, o “mergulho” nos elementos da natureza e a invocação de Forças e Potências correspondentes.

II - As Pedras

A incorporação das pedras num jardim Iniciático é muito importante. Encontramos exemplos que vão desde os Druidas ao Zen, passando pelas Escolas Iniciáticas.
Para o Budismo que vê as pedras possuírem vida espiritual, tal como as plantas e os animais, elas convertem-se num dos elementos mais importantes do jardim Zen.

Dado que o simbolismo é algo incorpóreo, existe a intenção de o expressar através das artes. Por exemplo, no Zen, o monge desenha e constrói o jardim com a introdução e disposição de pedras, um meio pessoal de expressão espiritual através da simplicidade, cuja finalidade é alcançar a essência das coisas, um incentivo ao estudo, à compreensão e à meditação sobre si mesmo e sobre o universo.

Os desenhos de ondas, que o monge vai aperfeiçoando sobre a areia branca são como uma espécie de capacidade de controlo sobre a energia induzida por si próprio e simbolizam os ciclos da natureza em tudo o que existe no Cosmos. A vida cíclica que se prolonga e regenera permanentemente, sugerindo a imortalidade, a fecundidade e a felicidade.

Os Cristais utilizados na electrónica, na joalharia e na cura energética são bons exemplos que explicam a importância e o poder que os minerais têm na nossa vida quotidiana.

Tal como um Mestre escultor que vê a obra-prima dentro de uma pedra bruta, um Maçon que especula sobre o seu simbolismo, também o Ocultista “vê” a Essência que a Anima e a função que a pedra desempenha no Universo.

Pedra bruta

Deram-te um malho e um cinzel
E a pedra para trabalhares
Tão imperfeita, pesada, feia que era,
Levarás uma eternidade para a desbravares

Ao terceiro golpe soltou-se uma saliência.
Seria o orgulho? Talvez!
Quem sabe se não era a intolerância!

Ás vezes a força era desmedida,
A direcção incorrecta,
Reapareciam novas imperfeições
E o desespero batia-te à porta.

No entanto o Mestre observava.
Pouco a pouco ensinou-te
A manuseares as alfaias
E o resultado encorajou-te.

Conseguiste aplanar uma face,
Ainda te faltam mais cinco perpendiculares.
Deves conter as paixões,
Para poderes um dia lá morar.
Jorge Moreira.

III - Os Espíritos da Natureza

Existe uma Sabedoria Antiga que fala de padrões diferentes de vibração da matéria, Dimensões ou Planos existenciais, impossíveis de detectar por qualquer meio físico, devido à sua sutileza. Talvez seja os 90% da matéria escura que controla os 10% da matéria perceptível de que os Astrofísicos falam. Alguma dessa matéria é tão subtil, que os sentimentos, as emoções ou os pensamentos bastam para afectá-la. É por isso que dizem que os sentimentos ou os pensamentos são Forças vivas.

Os Rituais, os mantras e as orações têm como finalidade laborar nesses Planos.
Existem histórias que podemos encontrar em qualquer parte do mundo, fenómenos de percepção extra-sensorial, que algumas pessoas tenham experimentado e que falam da existência de seres, de um “povo miúdo”, de anjos, de Devas, de espíritos da Natureza etc.

“Estamos sós no Universo?” É uma questão que o realizador francês Jean Michel Roux, inicialmente muito céptico nestas questões, tentou desvendar. As palavras que se encontram na introdução ao seu filme de culto “Enquête sur le Monde Invisible”, explicam a origem das investigações que realizou, sobre os Reinos Invisíveis da Islândia: “Em 1990 fui à Islândia procurar locais para um projecto de um filme de ficção científica. Descobri naquela altura que a maioria da população acreditava na existência de elfos, algumas pessoas diziam que encontraram «trolls» gigantes de 20 metros de altura que escalavam montanhas e vales. Estavam essas pessoas doidas? Ou mantinham um relacionamento com as forças da natureza que nós, no continente Europeu perdemos? A sinceridade dessas pessoas perturbou-me…”

Mais à frente, o realizador coloca uma questão muito obsessiva para ele: “Esses seres vivos estão à minha volta e eu não os consigo ver?”
No fim termina com a seguinte citação “O mundo invisível é invisível porque só usamos os nossos olhos”.

A “Doutrina Secreta” de H. P. Blavatsky fala-nos de uma evolução paralela e combinada dos Devas em relação à Humanidade. As entidades mais primitivas, como os minerais, os vegetais e os animais, são os seres da Natureza, como os Devas, e entidades menores por Eles dirigidos, que indicam o caminho a seguir no crescimento e desenvolvimento dessas entidades primitivas, em formas mais belas, sensíveis e perfeitas. A Humanidade como entidade já individualizada, madura e no franco desenvolvimento das suas capacidades interiores, passa também ela a dirigir as actividades da Natureza. A jardinagem, a agricultura e a genética são alguns exemplos de uma estreita ligação do Homem com os Agentes da Natureza. Claro que a Ética é a Luz que ilumina o Homem e indica o caminho a seguir, segundo o Plano Maior, quando se trata da manipulação da Natureza pelo Homem, através da genética.
E. L. Gardner na introdução ao livro “O Reino dos Devas e dos Espíritos da Natureza” de Geoffrey Hodson diz-nos o seguinte: “O Ocultista não vê matéria morta em parte alguma. Toda a rocha palpita com vida, toda a pedra preciosa possui a sua respectiva consciência, por minúscula que seja. A relva e as árvores pulsam ao contacto de pequeninos agentes, cujos corpos magnetizados actuam como a matriz a partir da qual se tornam possíveis os milagres do crescimento e da coloração.”

No Reino dos Devas existe uma enorme variedade de formas, que são divididas pela tradição em quatro grupos, conforme o elemento em que actuam. Os espíritos da terra, onde gnomos, duendes, fadas, elfos, etc. são alguns exemplos; os da água como as ondinas; os do ar, os silfos e por fim os espíritos do fogo, as salamandras.
Muitos estudantes da Filosofia Oculta invocam regularmente esses seres em seu auxílio nas curas e cerimónias num Templo Maçónico ou de alguma Religião. Invocam também, através de preces e meditações, força, bênção e paz que irradiam sobre o mundo.

Qualquer pessoa mais sensível que trate de plantas, num jardim ou numa horta, apercebe-se de influências magnéticas invisíveis, de seres e energias que actuam no crescimento e na beleza do espaço e na “Aura” que o conjunto irradia.

Enquanto a Humanidade tem como centro de consciência as faculdades mentais como a razão, os espíritos da Natureza têm o seu centro na Intuição. É por isso que alguns seres da Natureza, mesmo com uma consciência muito primitiva e limitada, comparada a um animal, têm uma obediência espontânea aos demais membros do seu próprio Reino, que ocupam uma posição mais elevada na Hierarquia Cósmica e, por conseguinte, uma maior consciência do Plano do Logos. Assim, também as Escolas Iniciáticas conhecem e representam esta mesma Hierarquia, praticando um Cerimonial à Gloria do Grande Arquitecto, com a participação e colaboração fraterna e amistosa dos anjos, que são evocados pelas palavras, sinais, passos, sons, luzes e símbolos do Ritual. Este é o verdadeiro poder do Cerimonial, a utilização dos Devas e elementais dos respectivos elementos, na Construção e Consagração do Templo espiritual e na Iniciação numa Escola dos Mistérios.

Muitos Jardins Iniciáticos têm normalmente um percurso simbólico que vai desde a descida ao inferno, figurado pela caverna, pelo poço ou pelo túnel, etc. até ao céu, representado por uma torre ou um miradouro. É o tomar de consciência da nossa natureza inferior, a fimde dominá-la, “contendo as paixões”, “deixando os metais à porta do Templo” ou “talhar as imperfeições da Pedra Bruta”, para tornarmo-nos mais perfeitos, a fim de cada vez mais podermos ser um Instrumento de Construção da Grande Catedral Cósmica. Mas também é o mergulhar noutros Planos Invisíveis da Natureza, e aprender a trabalhar, de uma forma segura, com os outros seres que existem nesses Planos. Por isso o domínio das emoções, “o conter as paixões”, é, sem dúvida, o primeiro passo a dar para todo aquele que inicia o percurso Maior.

IV - Esculturas Vivas

O Jardim deve ter sempre uma atenção permanente, que vai desde a preparação do solo, a escolha de boas sementes, a eliminação das ervas daninhas, o regar constante das “novidades”, etc. Exactamente da mesma forma, os homens que tencionam progredir nos mais variados campos do conhecimento, que vão desde a ciência à arte, mas especialmente aqueles que querem transmutar esse conhecimento adquirido em Sabedoria, Iniciando assim a sua Caminhada Iniciática e Espiritual, devem cuidar constantemente do seu Jardim Interior, separando o “trigo do Joio”, utilizando o discernimento, o desapego, a ética e o amor, de forma a que esse jardim possa vir a florir com todo o seu esplendor e beleza.

Os Jardins Iniciáticos são locais telúricos naturais ou espaços espirituais projectados pelo homem, com uma estética sofisticada de evocação e celebração da Natureza, onde se verificam uma interacção de seres e energias existentes em estados diferenciados da matéria, sob a égide dos elementos e onde todos os seres deverão ter uma função de entreajuda a desempenhar no plano evolutivo. Uma verdadeira Fraternidade entre Anjos e Homens. Uma Irmandade que alia os diversos Reinos da Natureza, para formarem um Templo vivo, capaz de influenciar todos os seres que o constituem, os neófitos, que sobre rituais próprios de evocação venham a iniciar a sua Caminhada espiritual e ser uma verdadeira Luz de bem-estar que irradia muito para além dos seus limites físicos.

Os Jardins Iniciáticos devem induzir uma percepção do cosmos mais profunda e sentida. São como verdadeiras Estátuas Vivas, extensíveis a Planos mais elevados da Existência, onde a Natureza do Jardineiro Mestre se funde com a Natureza Cósmica, para esculpir a Beleza da forma e da cor, a Força do simbolismo e a Sabedoria Perene.

Tenho dito \
24 de Junho de 2006
Jorge Moreira \

BIBLIOGRAFIA
Blavatsky, Helena Petrovna, “Doutrina Secreta”, Pensamento.
Blavatsky, Helena Petrovna, “Glossário Teosófico”, Ground.
Hodson, Geoffrey, “ O Reino dos Devas e dos Espíritos da Natureza”, Pensamento.
Hodson, Geoffrey, “O Reino das Fadas”, The Theosophical Publishing House (Londres).
Fischesser, Bernard,“Conhecer as Árvores”, Europa-América.
Nosé, Michiko Rico e Freeman, Michael: “El Jardín Japonés Moderno”, Ediciones Gamma.
Leadbeater, C. W., “A Vida Oculta na Maçonaria”, Pensamento.
Reeves, Hubert, “Malicorne – Reflexões de um observador da Natureza”, Gradiva.
Powell, Arthur E. “O Sistema Solar”, Pensamento.
Burnier, Radha, “Regeneração Humana”, Editora Teosófica.
Roux, Jean Michel, “Enquête sur le Monde Invisible”, Filme versão em DVD.

1 Comments:

Blogger Débora said...

Ola!!!
Encontrei seu blog atraves do google em uma pesquisa sobre jardins vibracionais!
Tenho procurado mto este curso em Sao Paulo para faze-lo, mas infelizmente tenho encontrado mta dificuldade!
Gostaria de saber se vc poderia me ajudar, com alguma indicacao ou lugar que ministrem este curso.
Se puder responder por email: deboraarmelin@hotmail.com

Muito obrigada
Debora

6:09 PM  

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